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Revista Plasticultura entrevista João Teles, Presidente do Grupo JT  


Referência no mercado paisagístico, e uma das referências científicas do ramo na atualidade, João Teles, presidente do Grupo JT, abriu o coração para a Revista Plasticultura e conta agora como foi seu início de carreira, as dificuldades que enfrentou no mercado e seus planos para o futuro do grupo que completa 45 anos. Em um papo descontraído, João Teles mostra que a empresa tem fôlego para crescer ainda mais e que o que lhe move na profissão é a paixão!

 
 
 
Revista: Qual era sua atuação antes de trabalhar com plantas ornamentais?
 
João Teles: Sempre fui apaixonado pelas plantas. Nem me lembro de pensar em fazer outra coisa na vida. Mas, como antigamente a gente tinha de ter um ofício, já que os pais exigiam uma profissão formal dos filhos. Lá pelo final da década de 1960, começo de 1970 fui dar aulas de matemática e inglês na rede pública de ensino do estado de Goiás. Mas, assim que surgiu a primeira oportunidade de ingressar no ramo, não pensei duas vezes. Larguei a magistratura e fui atrás do meu sonho.
 
Revista: Como e porque apostou neste segmento?
 
João Teles: Apostei porque vi a perspectiva de ganhar dinheiro, pois já cultivava plantas desde os 13 anos. Não escolhi o ramo, fui escolhido. Fui me envolvendo devagar e, quando percebi, já estava totalmente imerso nesse universo. Não pude evitar. O resto foi consequência de anos de dedicação e disciplina.
 
Revista: Quando e como foi a fundação da Garden Center e do Grupo JT?
 
João Teles: O Grupo JT, como existe hoje, dividido em atender varejistas, atacadistas e projetos paisagísticos, ficou mais estruturado com a fundação do JT Garden Center em 2004. Que é onde hoje em dia concentramos a administração a da empresa. Mas, de uma forma ou de outra sempre fizemos um pouco de tudo.  Mas, a verdadeira fundação do que hoje chamamos de Grupo JT, começou comigo como produtor rural e prestador de pequenos serviços em 1960.
 
Em 1972, quando consegui comprar uma área em Trindade, Goiás, onde pudesse cultivar minhas espécies. Eu produzia uma pequena variedade de mudas e as comercializava todas. Não sobrava nada. Aí, com o passar do tempo, fomos investindo em conhecimento e estrutura até nos tornarmos o que somos hoje. As plantas sempre estiveram tão ligadas à minha vida e carreira profissional que nem separo quando começou cada coisa. Foi tudo muito natural.
 
 
Revista: Como foi sua experiência em iniciar um projeto com plantas ornamentais na região de Goiás? Encontrou muita resistência?
 
João Teles: Foi uma experiência desafiadora. Não é fácil cavar um mercado desses. Não bastasse Goiás não ter mercado naquela época, ainda me atrevi a produzir em uma cidade do interior, onde a demanda era ainda mais baixa. Mas quando se está totalmente envolvido emocionalmente com um projeto, as decisões mais racionais perdem peso na balança. Eu gostava de plantas, fui lá e tentei. E, se pudesse voltar no tempo, faria de novo. Não há nada melhor do que ser apaixonado pelo que faz. Não saberia fazer outra coisa. Não sei nem separar onde é trabalho e onde não é na minha vida. É indissociável já. Outra dificuldade que temos é a produção irrigada. Como em Goiás é muito quente por causa do clima, irrigamos toda nossa produção nos meses em que a chuva cessa. Além do mercado quase inexistente no começo, ainda tive de ficar atento à necessidade de água abundante.
 
Revista: O setor de viveiros é considerado um negócio há pouco tempo. Quais os desafios que teve que enfrentar?
 
João Teles: O desafio maior foi ser pioneiro. O pioneirismo traz um retorno satisfatório se bem fundamentado. Mas, no começo, não desistir já é uma vitória. Depois colhemos bons frutos, para citar uma expressão do nosso ramo. (risos). Mas, no início, a tarefa é árdua. Quando comecei, não havia demanda, logística, mão de obra, pesquisa... Era tudo muito inicial ainda. Hoje em dia as coisas são bem mais fáceis. Aqui por perto, só havia conhecimento científico a respeito na Universidade Federal de Goiás. Então, fiz minha graduação lá e depois rodei o Brasil e o mundo fazendo minhas próprias pesquisas e colhendo material. 
 
 
Revista: Cite uma situação marcante nesta sua trajetória no mundo das plantas ornamentais.
 
João Teles: Acho que uma das situações mais marcantes da minha carreira foi ser reconhecido internacionalmente através da minha profissão. Desde os anos 80 venho recebendo estagiários de outros países, como França e Austrália. Além disso, Além disso, tenho trabalhos reconhecidos na África do Sul, Bélgica e sou membro de associações respeitadas, como a Fairchid Tropical/Garden dos EUA. Trocamos experiências, sementes e essa convivência acrescenta demais no meu trabalho. Sempre que posso vou aos Estados Unidos. Isso pra mim não tem preço. 
 
 
Revista: Fomos informados que o Sr. trabalhou como guia do grande arquiteto paisagista, Burle Marx. Ele o influenciou na decisão de trabalhar neste setor? 
 
João Teles: Foi um trabalho muito bom o meu e o do Roberto Burle Marx, mas já trabalhava no setor quando o conheci. Ele me incentivou muito e apendi muito com ele. Sinto saudades daquele tempo. Foram anos muito produtivos e que me ensinaram coisas que nenhuma escola ensina. A gente formava uma dupla fantástica. Nos encontramos no meu viveiro algumas vezes e seguimos Brasil afora a pesquisar Na primeira vez, viajamos a 7 estados. Oferecia meu conhecimento e ele me permitia estudar seus projetos. E, no final, ainda ganhei um amigo. Mais uma vez, guiado pela paixão, consegui alcançar meu objetivo.
 
Revista: Que tipo de plantas são produzidas em seu  viveiro? E que tipos são comercializadas?  Sua empresa só comercializa as plantas que produz ou também comercializa plantas ornamentais de outros viveiristas? 
 
João Teles: No Grupo JT temos uma gama de produção e comercialização de plantas muito vasta. De forrações e arbustos a árvores e palmeiras. Mas nosso produto mais vendido, e no qual somos reconhecidos como um dos maiores produtores nacionais são as palmeiras. Por termos uma área para plantio extensa, podemos plantar várias espécies e em grande escala. E aí, temos desde exemplares pequenos até palmeiras com cerca de 8 metros. Apenas uma pequena parte do que comercializamos não é de nossa produção. Na maioria das vezes são espécies que são melhor cultivadas em climas diferentes dos de Goiás ou lugares onde a produção de uma determinada espécie é bastante volumosa. O importante é produzirmos o que conseguirmos produzir bem. Querer produzir tudo nem sempre é o melhor caminho.
 
Revista: Com quantos funcionários aproximadamente a empresa conta hoje?
 
João Teles: Hoje, contamos em média com uma equipe de 50 pessoas, divididas entre produção, administração e vendas. Sempre tivemos uma preocupação grande em nos cercar de uma equipe plural. Ano passado reorganizamos todo nosso organograma para nos adaptarmos às novas demandas que foram aparecendo e rumos que o mercado foi tomando. Com o crescimento da classe média, mais pessoas estão tendo acesso aos produtos paisagísticos. De uma planta para a sala até grandes jardins, as pessoas estão tendo oportunidade de adquirir itens que antes eram considerados de classe alta. E nós, cientes disso, vamos tentando adaptar a empresa para servir essa demanda.
 
Revista: Quais seus planos para o futuro?
 
João Teles: É muito difícil fazer planos para mercado num país como o Brasil. Mas temos procurado trazer de fora do país novas plantas e adaptar outras para acompanhar as tendências de mercado e inovar sempre. Nossos planos estratégicos são ser referência no mercado paisagístico com um serviço de ponta e produzir um leque de espécies cada vez maior. E nos especializar sempre. Em qualquer ramo o conhecimento é muito importante. Mas, no paisagismo, ele é indispensável. Por lidarmos com seres vivos, temos de orientar bem os clientes sobre todo o processo que a aquisição de uma planta envolve.
 
Revista: Que sugestão dá a quem quiser iniciar nesta atividade atualmente? 
 
João Teles: Primeiro de tudo: amor pelas plantas. Você só consegue lidar bem com um ser tão complexo como se tiver muito amor por elas. Segundo, gostar de trabalhar. Nesse ramo, não há glamour de escritório e ar condicionado. A lida é diária e o trabalho laboral faz parte da maior parte das tarefas diárias. De sol a sol, de chuva a chuva, dia após dia. Cavando covas, medindo terrenos, exposto ao frio e ao calor. E, por fim, passar o resto da vida estudando. Como disse anteriormente, as plantas são seres extremamente complexos e sensíveis. Para você ter uma ideia, tenho mais de 50 anos de estudos nessa área e me deparo diariamente com novidades. Tanto sobre a planta em si como sobre o mercado. Só se consegue chegar há algum lugar nesse mercado se não deixarmos de estudar. Além de o conhecimento influir diretamente na qualidade da produção, manutenção e manejo da planta, quando repassamos a planta ao cliente, temos que orientá-lo a continuar cuidando dela como a gente cuidava ou o mais próximo possível daquilo. Juntando esse 3 ingredientes, já se pode considerar um bom começo. Mas, repito, é só o começo. Depois é muito trabalho, disciplina e dedicação.
 

 

Postado em Fonte Todas as notícias
13/06/2011 Revista Plasticultura Ver todas as notícias
 

 

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